sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Aprendendo a entender os meus hormonios

Importância da avaliação da dosagem do TSH

Drauzio – Há anos li um artigo que me convenceu da necessidade de incluir o pedido de dosagem do hormônio TSH na lista de exames de rotina que as pessoas devem fazer especialmente acima dos 40 anos e fiquei muito surpreso com a quantidade de pessoas absolutamente normais, sem sintoma algum da doença, que apresentam resultado compatível com hipotireoidismo ou hipertireoidismo. É mesmo importante pedir dosagem de TSH no sangue?

Marcello – O TSH, sigla para Thyroid Stimulanting Hormone ou Hormônio Estimulador da Tireóide, é um hormônio fabricado pela hipófise, uma glândula que fica no meio do cérebro, bem pequenininha, mas que controla o funcionamento de várias outras glândulas como testículos, ovários, supra-renais e a tireóide. Existe um sincronismo entre a produção de TSH e a tireóide semelhante ao funcionamento do termostato da geladeira que liga e desliga automaticamente de acordo com a flutuação da temperatura interna do aparelho. Da mesma maneira, o TSH estimula a tireóide para produzir os hormônios T3 e T4 que, uma vez fabricados, inibem a produção de TSH.Se a fabricação de hormônios pela tireóide for prejudicada por uma inflamação, por exemplo, haverá um aumento de TSH para tentar corrigir essa deficiência. Esse é o primeiro estágio de hipotireoidismo subclínico caracterizado pela manutenção do nível normal de hormônios da tireóide à custa da elevação do TSH.Como você observou, a freqüência dessa constatação é muito grande e ajuda a fortalecer a idéia de epidemia, uma vez que 3% dos homens, 7,5% das mulheres abaixo dos 45 anos, 10% delas acima dos 45 anos e 20% acima dos 75 anos manifestam esse tipo de problema. Como se pode notar, as doenças de tireóide incidem mais nas mulheres do que nos homens numa proporção de 5, 6 ou 7 mulheres para cada homem.

Drauzio – Você recomenda que esse exame de TSH seja feito de rotina em pessoas acima de 40 anos?

Marcello – Em todas as pessoas acima de 40 anos, principalmente porque no hipotireoidismo subclínico já aparecem alguns sintomas como cansaço, depressão leve e adinamia (falta de iniciativa). Quando a tireóide entra num processo de falência maior, a produção de TSH sobe, diminui a de hormônios tireoidianos e se instala o hipotireoidismo clínico que apresenta quadros bem manifestos de depressão, pele seca e fria, prisão de ventre, falta de vontade de levantar e coração batendo mais lento. A pessoa fala devagar e sua voz engrossa como se fosse um disco em baixa rotação. A presença desses sintomas, em geral, torna mais fácil o diagnóstico. O mais importante, porém, é que esse diagnóstico seja feito na fase subclínica.

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